Hidrogénio

Alemanha prepara estratégia para substituir combustíveis fósseis por hidrogénio

Alemães são assim os primeiros a estabelecer uma estratégia para o desenvolvimento da economia tendo por base o hidrogénio em detrimento dos combustíveis fósseis. Objetivo passa por gerar crescimento ecológico e evitar serem apanhados desprevenidos por pequenos cartéis de fornecedores.

Muito discretamente, têm sido fechados acordos com algumas nações que podem produzir hidrogénio, como a Nigéria. Isto para que num futuro próximo a Alemanha consiga reduzir a contaminação produzida pelo petróleo e gás natural, bem como minimizar a sua dependência de países produtores de combustíveis.

Acordo de Paris

Com esta estratégia, Angela Merkel, quer também cumprir os objetivos do Acordo de Paris, o qual passa necessariamente pelo hidrogénio. É que este combustível além de proporcionar energia à indústria pesada, pode também ajudar no armazenamento do excesso de eletricidade gerada pelas energias renováveis quando há mais sol e vento.

Cresce assim a preocupação de entre os ministros alemães de que ao importarem mais hidrogénio, vão depender mais de lugares com maior capacidade de produção deste gás, como Rússia e os países da OPEP (que são já os grandes responsáveis pela energia usada no país).

Segundo Wolf Dieter Lukas (Secretário de Estados dos Ministérios da Educação e Investigação) a chave da economia global está na “concorrência sem restrições” esperando que não se formem cartéis como os existentes nos combustíveis fósseis!

São já 4 os ministérios alemães a trabalhar em torno da estratégia para substituir os combustíveis fósseis por um elemento mais amigo do ambiente. O programa será anunciado no fim do mês de março pelo Ministro da Economia.

Mas já há objetivos estabelecidos, como no ano passado, quando o Ministro da Economia estabeleceu como principal objetivo converter a Alemanha no principal país movido a hidrogénio.

É que o hidrogénio é o elemento mais abundante do mundo e assim uma solução climática atrativa pois só cria vapor de água quando é queimado, podendo ser submetido a temperaturas superiores a 1000 graus Celcius (muito usadas pelas indústrias – desde o cimento, siderurgia ou mesmo refinarias).

Alemanha e a dependência fóssil
Alemanha e a dependência fóssil

Leitura recomendada: Vantagens e desvantagens do hidrogénio

Futuro passa mesmo pelo hidrogénio?

Segundo Fabian Huneke, da Energy Brainpool, “O hidrogénio não é a solução perfeita, mas parece ser a melhor opção até agora, principalmente para que a industria inicie o processo de descarbonização. A realidade é que não haverá sistema de energia capaz de funcionar com mais de 70% de energias renováveis na mistura energética sem o hidrogénio”.

A estratégia do Governo de Angela Merkel é para a próxima década e com vista ao futuro. Esta estratégia alemã tem por base lições apreendidas durante décadas de importação de petróleo e gás, onde o preço e a oferta estão distorcidos por um cartel.

Um terço do consumo de energia primária da Alemanha provém do petróleo, e o gás, que é um combustível em crescimento provém maioritariamente da Rússia.

O futuro será mesmo o Hidrogénio?
O futuro será mesmo o Hidrogénio?

A estratégia do hidrogénio contém várias formas de aumentar a sua oferta e quais as indústrias que serão grandes consumidores. Um primeiro esboço da estratégia inicial mostra que os alemães estão dispostos a subsidiar a tecnologia inicial para estimular a capacidade de produção nas próximas décadas, mas só até certo ponto!

Quanto aos custos de importação, a Alemanha, pretende que sejam baixos, e para isso quer ter vários países fornecedores. Tanto que no mês passado, fechou um acordo com a Nigéria para investigarem conjuntamente as cadeiras de fornecimento de hidrogénio em 15 nações da África Ocidental.

Preocupações relacionadas com a produção de hidrogénio

Esse acordo e outros que espera fechar, irão dar resposta a duas das grandes preocupações sobre o hidrogénio:

  • Como produzir o gás sem aumentar as emissões de dióxido carbono
  • Onde obter as quantidades necessárias

Neste momento, mais de dois terços das 70 milhões de toneladas de hidrogénio produzidas anualmente provêm do gás natural; só que esse processo liberta cerca de 830 milhões de toneladas de dióxido de carbono para a atmosfera por ano, um número superior às emissões de dióxido carbono totais da Grã-Bretanha e Indonésia.

E nesse aspeto as nações africanas podem ser uma fonte abundante de hidrogénio, pois podem ali ser construídos parques eólicos e solares em grande número, que por sua vez iriam alimentar eletrolisadores para separar os átomos de hidrogénio da água.

Os alemães tentam assim firmar novos acordos de produção de hidrogénio com países parceiros exteriores que possam cumprir com certas condições essenciais. Sendo que algumas dessas condições são a estabilidade politica, clima ensolarado e proximidade com o mar que permita dessalinizar a água para a eletrólise.

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