A partir de 27 de agosto de 2026, o Reino Unido passa a permitir a instalação de painéis solares plug-in por qualquer pessoa, sem certificação elétrica prévia, até um limite de 800 W por circuito.
A medida chega num momento em que o país já ultrapassou os 22,8 GW de capacidade solar instalada, depois de ter acrescentado mais de 2 GW só nos últimos doze meses. Para quem em Portugal já vive a expansão recorde da energia solar, este é um sinal claro de para onde caminha a regulação europeia do autoconsumo.
O essencial em 30 segundos
- O Reino Unido permite, a partir de 27 de agosto, autoinstalação de solar plug-in até 800 W por circuito.
- A capacidade solar britânica já ultrapassa os 22,8 GW, com quase 27.400 novas instalações só em junho.
- O setor vê o produto como mercado adicional, não como ameaça ao solar de telhado tradicional.
- Portugal ainda não tem regime equivalente ao solar plug-in, mantendo o registo UPAC obrigatório.
- Em julho, o solar já foi a principal fonte de eletricidade em Portugal pela primeira vez.
O que é a energia solar plug-in?
Energia solar plug-in — também chamada de solar de varanda ou solar “encaixe e usa” — é um sistema solar fotovoltaico compacto que se liga diretamente a uma tomada doméstica comum, sem necessidade de obras, quadro elétrico dedicado ou instalação certificada.
Em suma, o utilizador compra o painel, encaixa-o numa varanda, parede ou telhado inclinado, e liga-o à corrente como faria com qualquer eletrodoméstico.
Quais são os novos números da capacidade solar britânica?
Segundo os dados oficiais do Department for Energy Security and Net Zero (DESNZ), o Reino Unido instalou 27.391 novos sistemas solares só em junho de 2026, o segundo maior volume mensal de sempre, totalizando 132 MW de nova capacidade nesse mês. O total acumulado chegou a 2.076.000 instalações solares até ao final de junho.
| Indicador | Valor |
|---|---|
| Capacidade solar total (jun. 2026) | 22,8 GW |
| Crescimento em 12 meses | +2,2 GW (+10,9%) |
| Novas instalações em junho de 2026 | 27.391 |
| Total de instalações acumuladas | 2.076.000 |
| Maior parque solar operacional do Reino Unido | Cleve Hill, 373 MW |
| Limite de potência do solar plug-in por circuito | 800 W |
| Data de entrada em vigor da nova regra | 27 de agosto de 2026 |
Porque é que o mercado vê o solar plug-in como uma oportunidade e não uma ameaça?
O ponto-chave é: os distribuidores do setor não encaram o solar plug-in como concorrência aos sistemas de telhado tradicionais, mas como um mercado adicional, sobretudo junto de inquilinos e casas arrendadas, que até agora ficavam de fora do autoconsumo solar por não poderem alterar a instalação elétrica do imóvel.
- Abre o autoconsumo a quem vive em casa arrendada, sem necessidade de autorização do proprietário para obras.
- Reduz a barreira de entrada financeira e técnica face a um sistema de telhado convencional.
- Os principais retalhistas já negoceiam com o governo britânico condições para o lançamento.
- Os fabricantes preparam já eventos de lançamento coincidentes com a entrada em vigor da lei.
David Hope, diretor-geral da distribuidora Segen no Reino Unido e Irlanda, resume a posição do setor: a distribuidora não vê o produto como ameaça aos telhados, mas sim como uma boa gama de produto, desde que sejam usados fabricantes de primeira linha e instalação feita por eletricistas qualificados.
Quais são os projetos solares de grande escala que se seguem no Reino Unido?
Em paralelo ao crescimento do segmento doméstico, o Reino Unido tem também projetos solares de grande escala em pipeline. O sétimo leilão de Contracts for Difference (CfD AR7) garantiu 4,9 GW de nova capacidade solar, dos quais 1,87 GW deverão entrar em funcionamento até 2028 e 3 GW até 2029. A janela de candidaturas para a ronda seguinte, AR8, fecha já a 7 de agosto de 2026.
O que significa isto para quem tem solar em Portugal?
Portugal não tem, para já, um enquadramento legal equivalente ao solar plug-in britânico — o regime de autoconsumo em vigor (UPAC) continua a exigir registo e ligação formal à rede, independentemente da potência do sistema.
Ainda assim, o momento europeu é revelador: o solar deixou de ser apenas um investimento de longo prazo em telhado próprio e está a tornar-se um produto de consumo corrente, à semelhança de um eletrodoméstico.
Em Portugal, a energia solar já assegurou 19% do consumo elétrico nacional em julho de 2026, tornando-se pela primeira vez a principal fonte de eletricidade do país num único mês, segundo dados da REN – Redes Energéticas Nacionais.
O contraste é claro: enquanto o Reino Unido acelera o acesso ao autoconsumo através de soluções plug-in para quem não tem telhado próprio, Portugal já colhe os resultados de anos de investimento em capacidade solar instalada de maior escala.
Tudo o que precisa de saber – FAQ
O solar plug-in é legal em Portugal?
Não da mesma forma que passará a ser no Reino Unido. Em Portugal, qualquer sistema de autoconsumo, independentemente da potência, continua sujeito ao registo prévio no regime UPAC (Unidade de Produção para Autoconsumo), definido pelo Decreto-Lei 15/2022.
Qual é o limite de potência do solar plug-in no Reino Unido?
O limite fixado é de 800 W por circuito elétrico, aplicável a sistemas autoinstalados sem necessidade de eletricista certificado.
Quando entra em vigor a nova regra britânica?
A 27 de agosto de 2026.
O solar plug-in substitui um sistema de telhado convencional?
Não. O setor posiciona-o como um produto complementar, sobretudo para quem não tem telhado próprio ou vive em casa arrendada, e não como substituto de um sistema fotovoltaico de maior escala.