Janeiro de 2026 entrou para a história do setor energético em Portugal. Com as baixas temperaturas a obrigarem a um reforço do aquecimento nas casas e empresas, o sistema nacional registou o maior consumo de eletricidade alguma vez contabilizado.
No entanto, o país deu uma resposta robusta: oito em cada dez quilowatts utilizados foram gerados através de fontes de energia limpas, como a água e o vento.
Tabela de Conteúdos
Recordes sucessivos testam resiliência da rede
Segundo os dados oficiais da REN – Redes Energéticas Nacionais, o consumo disparou para os 5,4 TWh, um crescimento de 8,1% face ao mesmo período do ano passado.
Este valor supera o máximo mensal anterior, provando que a procura por energia continua a subir de forma acentuada.
O pico de pressão aconteceu no dia 23 de janeiro, quando o país consumiu 197,1 GWh num único dia. Para o consumidor, estes números traduzem-se numa rede que, apesar de fustigada por uma procura extrema, conseguiu manter a estabilidade sem interrupções, garantindo que o conforto térmico chegasse a todos os lares.
O papel decisivo das barragens e dos parques eólicos
Apesar do consumo recorde, a fatura ambiental foi contida. As condições meteorológicas foram especialmente generosas para a produção hídrica e eólica, que atingiram níveis de produtividade que não se viam desde 2014.
No total, as renováveis abasteceram 80% do consumo nacional, dividindo-se da seguinte forma:
- Hidroelétrica: 37%
- Eólica: 35%
- Biomassa: 4%
- Fotovoltaica: 4% (o valor mais baixo de sempre para janeiro devido à falta de sol)
Por que razão o sistema foi ao limite às 19h30
O momento crítico para qualquer rede elétrica ocorre quando a produção tem de igualar a procura em tempo real. No dia 26 de janeiro, às 19h30, Portugal atingiu um novo máximo de produção (12.217 MW).
De acordo com a Agência Internacional de Energia (IEA), esta capacidade de resposta é o que evita os “blackouts” em períodos de frio extremo.
Para o cidadão comum, este dado reforça uma responsabilidade partilhada: o uso eficiente da energia, especialmente nos horários de maior aperto, ajuda a manter os custos de exploração mais baixos, o que acaba por ter reflexo nas tarifas a longo prazo.
Dependência externa e o gás natural
Nem tudo veio do vento ou da água. Para garantir que nunca falte luz, Portugal recorreu ao gás natural (14% do consumo) e à importação (6%).
O porto de Sines foi a porta de entrada para o gás vindo da Nigéria e dos EUA, sublinhando que a autonomia energética total ainda é um caminho a percorrer.
Perguntas frequentes sobre o consumo de energia em Portugal
Qual é a principal fonte de energia renovável no país?
No mês de janeiro de 2026, a energia hídrica (barragens) foi a principal fonte, abastecendo 37% do consumo nacional, seguida de perto pela energia eólica com 35%.
Qual foi o recorde de consumo de eletricidade em Portugal?
Em janeiro de 2026, Portugal registou o maior consumo de sempre, atingindo os 5,4 TWh. O máximo anterior tinha sido registado no ano anterior, com 5,0 TWh.
Por que razão o consumo de energia bateu recordes em janeiro?
O aumento deveu-se sobretudo às condições meteorológicas de frio intenso, que elevaram a necessidade de aquecimento doméstico e industrial, resultando num crescimento de 8,1% face ao ano anterior.
Como é que a energia importada chega a Portugal?
Portugal importa energia através de interligações elétricas com Espanha e recebe gás natural liquefeito (GNL) pelo Terminal de Sines, vindo principalmente da Nigéria e dos Estados Unidos.
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