Centrais a Carvão Japão

A maior parte dos países desenvolvidos têm planos concretos para terminar com a queima de carvão como modo de produção de eletricidade, mas o Japão tem outras ideias… é que nos últimos dois anos, construíram oito novas centrais de carvão, num total de 1,07GW, tendo planeado mais 36 para os próximos dez anos!

Esta é a maior expansão de energia a partir do carvão planificada em qualquer país desenvolvido (excluindo China e Índia).

Em abril de 2018, o governo japonês deu luz verde ao plano que irá colocar o carvão como fonte de eletricidade, em 2030 26% da eletricidade será proveniente do carvão; tendo assim abandonado por completo o objetivo anterior que passava por reduzir tal contributo na produção de energia através do carvão a 10%.

Este reviravolta deve-se em parte ao desastre de 2011 na nuclear de Fukushima, que levou a um corte no apoio da energia atómica como fonte de eletricidade. Esta medida é também sinal do fracasso do governo em incentivar ao uso das energias renováveis.

Esta decisão irá ter grandes implicações na contaminação do ar, bem como nas promessas do Japão em reduzir as emissões de gases de estufa (só o japão contribui com 4% do total mundial de efeitos de gases de estufa). Assim se forem construídas todas as centrais a carvão irá ser difícil cumprir as metas de redução das emissões de gases de efeitos de estufa.

Conheça os acidentes históricos com a Energia Nuclear desde Chernobyl até Fukushima.

Porquê esta nova aposta no carvão como fonte de eletricidade?

Ainda há pouco tempo o carvão no Japão estava em vias de desaparecer, sendo que em 2010 as centrais a carvão representavam cerca de 25% da eletricidade.

Mas o Ministério da Economia tinha na sua agenda uma redução para mais de metade ao longo de 20 anos. Pois contava com a energia nuclear como forma de produzir eletricidade, passando o contributo de produção de 29% em 2010 para 50% em 2030.

Só que o acidente nuclear de Fukushima em 2011 levou a que se fizesse uma nova avaliação das necessidades. Acabaram assim por fechar os 54 reatores nucleares japoneses, enquanto aguardavam por novas normas de segurança. Desses 54, apenas 7 retomaram a atividade, o que fez com que houvesse um défice de energia.

Para colmatar esse défice, as elétricas recorreram ao gás natural líquido e ao carvão, o que em 2014 fez com que essas fontes de energia representassem 31% da produção de eletricidade.

Apesar de outros países recorrerem ao gás natural para substituir o carvão, pois é mais barato, no Japão, é o contrário.

O carvão é mais barato, ainda que importado (segundo Takeo Kikkawa, economista especializado em energia da Universidade de Ciências de Tóquio). E isso deve-se ao facto de o Japão importar o gás natural em forma líquida, o que o torna mais caro.

Novo plano de energia…

Assim o novo plano de energia foi elaborado em torno do carvão. E deverá entrar em vigor no final de 2018, com estimativas até 2030. Neste novo plano de energia, as energias renováveis continuam com pouca representação, apenas 22% a 24%, com a solar apenas 7%.

No relatório incluem voltar a apostar nas centrais nucleares, aumentando assim a produção de energia para 20% a 22%. Mas é nos combustíveis fósseis (carvão, petróleo, gás) que continuam a ir buscar mais energia, 56%.

Esta dependência de carvão por parte do Japão para produzir energia irá impedir que o país nipónico cumpra os compromissos de reduzir as emissões de gases de estufa 20% abaixo dos níveis de 2013 em 2030, e os 80% até 2050!

Ainda mais difícil será se não reativarem as centrais nucleares!

Hipótese para limitar as emissões de gases de estufa

A indústria elétrica afirma que há outras formas de limitar as emissões dos gases de efeito de estuda, através da construção de centrais e sistemas de carvão limpo para capturar o carbono.

Como já existe na Central Térmica de Isogo, em que um chamado ciclo ultrasupercrítico gera vapor a temperaturas muito altas e pressões altas, aumentando assim a eficiência da central em 45%! Enquanto as centrais convencionais apenas têm uma eficiência de 30% a 35%.

Só que tem uma desvantagem! O preço. São um tipo de centrais muito dispendiosas. Sendo que mais de metade das centrais a carvão propostas para construir irão ser de tecnologias convencionais e com contaminantes!

Mas ainda assim, o Ministério do Ambiente, diz que se forem construídas todas as centrais a carvão projetadas, as emissões de gases compensariam com os cortes que se irão fazer noutros locais.

E as energias renováveis?

O volte-face do Japão em torno do carvão é somente uma oportunidade perdida para a energia renovável. Isto segundo o especialista Tomas Kaberger, da Universidade de Tecnologia de Gotemburgo, Suécia.

É que segundo ele, depois do acidente de Fukushima, o governo aprovou alguns incentivos para a energia renovável e começou a modificar os mercados de energia para que as energias renováveis fossem mais competitivas, tendo inclusive havido um maior investimento na energia solar.

Só que com os cortes dos benefícios para as energias renováveis e mudanças políticas, no ano passado houve pouco investimento nas energias renováveis, não se tendo conseguir chegar aos níveis de investimento pretendidos.

Tanto que o Ministro dos Assuntos Exteriores japonês, Taro Kono, disse recentemente que a “situação atual do nosso setor de energia solar pode ser descrito como lamentável”.

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