EUA preparam banimento de inversores solares chineses

Eua preparam banimento inversores solares chineses

Os Estados Unidos estão prestes a avançar com uma medida que pode redesenhar o mapa mundial dos inversores solares. A Comissão Federal de Comunicações (FCC) prepara, segundo a Reuters, uma proposta para banir do mercado norte-americano os inversores fabricados por empresas chinesas, alegando riscos de segurança para a rede elétrica.

A notícia já teve consequências imediatas em bolsa: as ações da Sungrow, um dos maiores fabricantes chineses do setor, caíram 20% depois de a Bloomberg noticiar a especulação em torno da proibição.

Para quem trabalha no setor solar em Portugal, seja como instalador, investidor ou proprietário de um sistema fotovoltaico, esta decisão está longe de ser irrelevante. A União Europeia já trilhou um caminho semelhante e o que acontece agora nos EUA pode antecipar o próximo passo do lado europeu.

Banir inversores solares Chineses – Uma proposta ainda em fase de rascunho

Segundo fontes ouvidas pela Reuters esta semana, a FCC pode divulgar a proposta ainda este ano, embora o documento possa ser alterado ou mesmo arquivado antes de avançar.

O foco da preocupação está na natureza digital dos inversores: são equipamentos “inteligentes”, geridos remotamente pelos fabricantes e operadores, o que os transforma em potenciais pontos de entrada para ataques informáticos à rede elétrica.

A administração Trump segue, assim, o exemplo da União Europeia, que introduziu, em abril, uma proibição de financiamento público para projetos que utilizem inversores chineses, citando exatamente os mesmos riscos.

Principais pontos a reter:

  • A FCC prepara uma proposta de banimento aos inversores solares fabricados na China
  • A Sungrow perdeu 20% do valor em bolsa depois da notícia ser avançada
  • Os EUA seguem uma linha já adotada pela União Europeia
  • Enphase e SolarEdge surgem como potenciais beneficiários diretos
  • Persiste o debate entre banir fabricantes específicos ou reforçar exigências técnicas

O que muda para o mercado europeu e português

A Sungrow e a Huawei lideram, atualmente, uma fatia significativa do mercado global de inversores, impulsionadas pela descida de preços e pela estandardização da tecnologia tanto em instalações residenciais como em projetos comerciais e industriais.

Uma proibição nos EUA retira estes dois nomes de um mercado central, o que pode acelerar investimento e produção junto de concorrentes diretos.

FabricanteSedeComo pode beneficiar
EnphaseEstados UnidosJá tem capacidade de fabrico instalada em solo norte-americano
SolarEdgeIsraelProdução nos EUA e forte presença no segmento residencial
Fabricantes europeusUnião EuropeiaPodem escoar produção para os EUA, apoiados numa capacidade de fabrico de inversores na Europa que já ultrapassa os 100 GW

Para o consumidor português, o efeito mais direto não é imediato: o mercado nacional não depende das regras da FCC. Mas a tendência de fundo, o crescente escrutínio sobre a origem e a segurança digital dos inversores, tende a chegar também à regulação europeia e, por arrasto, às normas aplicadas em Portugal a projetos com apoio de fundos públicos.

Porque é que os inversores solares se tornaram um alvo de segurança

O tema ganhou expressão pública depois de a Reuters ter noticiado a descoberta de dispositivos de comunicação não autorizados em inversores chineses instalados nos EUA. Vários relatórios contestaram posteriormente essa conclusão, mas a perceção de risco manteve-se.

Já em dezembro do ano passado, a UE tinha classificado os inversores solares chineses como de “alto risco” na sua Doutrina de Segurança, um passo que precedeu a proibição de financiamento público anunciada em abril.

O risco não é apenas teórico: os fabricantes têm capacidade real para controlar remotamente os seus equipamentos, e os principais operadores no mercado europeu detêm capacidade instalada mais do que suficiente para causar uma disrupção séria na rede elétrica, caso essa capacidade fosse usada de forma maliciosa.

Banir a China resolve o problema? Os especialistas discordam

Aqui reside a maior controvérsia. Uma parte dos especialistas defende a proibição direta de equipamento chinês, à semelhança do que já acontece na Europa e do que se equaciona nos EUA.

Outra corrente argumenta que soluções técnicas e exigências de segurança mais rigorosas seriam mais eficazes do que travar a origem do fabricante.

A origem geográfica de um inversor não determina, por si só, se um agente malicioso consegue entrar no sistema através de uma falha digital. O ataque frustrado a instalações solares e eólicas na Polónia, em dezembro passado, que poderia ter provocado apagões e colocado vidas em risco, resultou do acesso remoto de hackers a cerca de 30 sistemas, e não de uma ordem dada por um engenheiro em Pequim.

Ainda assim, há quem alerte que depender da China para equipamento solar representa um risco estrutural, independentemente da probabilidade de um ataque orquestrado pelo Estado chinês. Erika Langerova, responsável pela investigação em cibersegurança no UCEEB, centro ligado à Universidade Técnica Checa em Praga, afirmou que a Europa “trocou uma dependência [do gás russo] por outra”.

Segundo a especialista, a pressa de muitos fabricantes chineses em colocar produtos baratos no mercado leva, com frequência, a que a cibersegurança fique em segundo plano.

O que isto significa na prática

  • Preços a curto prazo: uma proibição nos EUA pode encarecer inversores no mercado norte-americano até a oferta se reajustar
  • Mais espaço para a produção europeia: a capacidade instalada na Europa pode absorver parte da procura que sair do mercado chinês
  • Atenção às regras de origem: quem instala sistemas com financiamento público deve acompanhar de perto os critérios de elegibilidade de equipamento
  • Cibersegurança como critério de compra: a origem e a segurança digital do inversor pesam, cada vez mais, tanto quanto o preço e a eficiência

FAQ – Perguntas frequentes

A proibição nos EUA já está confirmada?

Não. A proposta está ainda em fase de elaboração pela FCC e pode ser alterada ou arquivada antes de entrar em vigor.

Quais os fabricantes chineses mais visados?

Sungrow e Huawei, por serem líderes globais no mercado de inversores solares.

Quem pode beneficiar de uma proibição nos EUA?

Fabricantes com produção em solo americano, como a Enphase, a israelita SolarEdge, e produtores europeus com capacidade instalada disponível.

Os inversores chineses são, de facto, menos seguros?

Não há consenso entre especialistas. Uns apontam a origem do fabrico como o problema central; outros defendem que a vulnerabilidade depende sobretudo de falhas técnicas e protocolos de segurança, independentemente do país de fabrico.

Portugal ou a União Europeia podem seguir o exemplo dos EUA?

A UE já limita, desde abril, o financiamento público a projetos com inversores chineses, mas não existe, para já, uma proibição total de venda ou instalação destes equipamentos no espaço europeu.

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