Apesar da tímida presença da Energia Solar Fotovoltaica na produção energética Brasileira – quando comparada a níveis mundiais – este tipo de energia cresce a passos largos, com expansão de cerca de 100% ao ano.

Segundo o presidente da Kyocera Solar do Brasil, Sérgio Benincá, em 2010 foram instalados 3MW em painéis solares no País. Para este ano, espera-se fechar a instalação de algo entre 5MW e 6MW e, em 2013, de 10MW.

Até o momento, no entanto, o desempenho da fonte esteve calçado fortemente no Programa Luz para Todos, do governo federal, com o uso de painéis para atendimento a comunidades rurais e isoladas.

Para Benincá, a continuidade do desenvolvimento da tecnologia no País dependerá muito de políticas fiscais de incentivo. “Esperamos que daqui a dois anos o mercado de conexão à rede seja explorado, mas para isso dependemos de regulamentação da Aneel [Agência Nacional de Energia Eléctrica] e de incentivos e/ou subsídios do governo”, explica o executivo.

O presidente da Kyocera acredita que, no futuro, a energia solar irá até mesmo ultrapassar o desempenho da eólica, que é, hoje em dia, a “menina dos olhos’ do sector. A aposta, segundo o executivo, se deve às particularidades de implantação das fontes. “A energia solar você consegue instalar em qualquer lugar, enquanto a eólica tem uma série de factores que podem inviabilizar o projecto”, explica.

Benincá compara: “se você pegar um milhão de telhados no Brasil e colocar 4kw em cada telhado, vai ter um terço de Itaipu – e com uma grande vantagem: espalhado por todo País, evitando, por exemplo, linhas de transmissão”.

O executivo afirma que houve “muita mudança no governo” em relação à fonte, mas vê a energia hidro-eléctrica ainda no topo das prioridades, o que afasta o foco dos projectos solares. “Acho que o governo dá um passo por vez e que às vezes dá um passo muito lento”, critica.

Benincá prevê que a geração centralizada será o grande mercado para os fabricantes, mas ressalta que a geração descentralizada é a mais importante. “Foi a que deu certo nos Estados Unidos e na Europa, principalmente na Alemanha.

No meu entendimento seria mais importante, em termos de Brasil, que se desenvolvesse esse mercado descentralizado”. Questionado sobre os sistemas isolados, que têm recebido investimentos em mini-usinas fotovoltaicas, o presidente da Kyocera lembra que esses empreendimentos fazem parte de “um mercado limitado, que um dia acaba”.

Questionado se uma fábrica nacional seria a solução para a fonte, o executivo afirma que, no cenário actual, uma planta por aqui não mudaria muita coisa. “Você ainda teria que importar a célula solar, pois é uma tecnologia que não existe no Brasil. Talvez conseguisse viabilizar pelo mesmo preço de hoje, mas não uma queda”.

Ainda assim, a Kyocera tem aprovada, desde 2007, a construção de uma fábrica de módulos solares no Brasil. A iniciativa foi adiada devido à crise económica mundial, entre 2008 e 2009. “A implantação deve ser retomada em 2012 para entrada em operação em 2013. Porque para você implantar uma fábrica é preciso ter mercado. Ninguém vai fazer investimento numa fábrica, colocar aqui e não vender, fica lá parado. Então, com o mercado aquecendo agora, acredito que no ano que vem a Kyocera comece a se movimentar a colocar a fábrica em operação em 2013”, revela.

Segundo Benincá, o custo da geração fotovoltaica vem sendo reduzido acentuadamente, mas o preço dos componentes ainda encarece os projectos. “Ela tem caído ano a ano, eu diria até que mês a mês. Mas o grande problema da energia solar é que você tem componentes que são muito caros e ainda não contam com a mesma isenção de ICMS e IPI que os módulos têm. Antigamente, o custo do módulo solar girava em torno de 70% do projecto. Hoje está na casa de 30 a 40%.

Mas os outros equipamentos – baterias, inversores, controladores etc- que estão dentro do sistemas que não tem esses incentivos. Se considerar só o módulo solar, eu diria que nos últimos dois anos o preço caiu pela metade – e não estou considerando o câmbio, ele caiu em dólar”.

De acordo com Benincá, há um movimento forte de empresas estrangeiras procurando parceiros no Brasil para importar painéis solares; os chineses, inclusive, são apontados pelo executivo como os grandes concorrentes.

Actualmente, para colocar um parque de 1MW de potência instalada no Brasil é necessário um investimento entre R$10 e R$12 milhões, gerando energia a um custo estimado pelo Ministério de Minas e Energia em cerca de US$400 por MWh. “Quero deixar claro que não estamos pedindo benefícios, mas que tenha um incentivo temporário, depois o mercado se regula”, conclui.

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Laudineidue Aparecida de Souza

Atualmente é possivel implantar um sistema de energia voltaica na minha casa? Por iniciativa propria? Um amigo meu esta também interessado. Mas tenho receio por não ver por parte do governo um incentivo para isso. Ela já entrou em contato com a empresa MSE engenharia.