Caso os componentes mecânicos ou elétricos aqueçam ou desenvolvam alguma falha pode-se iniciar um incêndio, e este pode por sua vez ser de alguma forma atiçado pelos ventos. Uma vez deflagrado um incêndio numa turbina este é extremamente difícil de ser apagado devido a localização em altura da turbina.

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O estudo afirma que os incêndios em turbinas representam 10 a 30% do global de acidentes em turbinas, no entanto isto pode não ser correto pois os relatórios estão muitas vezes incompletos, podem ser tendenciosos e não estão por vezes disponíveis para o público.

Os incêndios em turbinas resultam num considerável tempo de inatividade da turbina ou mesmo na sua destruição total. A boa notícia é que os incêndios em turbinas eólicas têm vindo a diminuir desde 2002.

Video de incêndio num aerogerador após ventos elevados ocorrido em 2011 em Ardrossan no Reino Unido

A equipa de investigação sugere que a indústria poderia reduzir o risco através da implementação de medidas de proteção contra incêndios como pára-raios, utilização de óleos e lubrificantes não comburentes e instalação de barreiras protetoras de calor para proteger os materiais inflamáveis.

Os fabricantes de turbinas deveriam também evitar ao máximo a utilização de materiais inflamáveis e utilizar sistemas de monitoramento no interior das turbinas. Deveriam desta forma ser instalados no interior das turbinas alarmes de fumo e sistemas de expressão de agua e/ou espuma para apagar focos de incêndio.

Estas recomendações sugerem-nos que estas medidas ainda não estão a ser implementadas, mas será mesmo assim?

É importante ter em mente que à uma serie de normas e diretrizes usadas pela indústria exatamente por esta razão. Na Europa a mais importante é a secção1.5.6 da diretiva 2006/42/EC que se aplica a todos os modelos de turbinas e que estipula que estas devem ser construídas “de modo a evitar qualquer risco de incêndio ou sobreaquecimento provocado pela própria maquina ou por gases, líquidos, poeiras, vapores e/ou outras substâncias produzidas ou utilizadas pela maquina”.

De acordo com Jamie Scurlook responsável tecnológico na RES, é extremamente difícil de projetar um modelo de turbina que elimine todos os riscos de incêndio. Os padrões e diretrizes de segurança também não estipulam como uma turbina deve ser fabricada, e ainda, existem regulamentos de locais (cidades ou Países) a ter em conta e que também exigem outros tipos de normas.

Compilação de Acidentes e Incêndios em Turbinas Eólicas

Uma salvaguarda dentro da indústria são os testes de conformidade. Em Março de 2015 foi emitida uma certificação SE0077 dos sistemas de proteção contra incêndios em turbinas eólicas, que assenta na utilização de componentes contra incêndios pré-aprovados e de outros sistemas de prevenção. Estes incluem detetores de fumo e calor, sistemas de controlo e indicação, e todos estes devem ser testados em laboratórios da European Fire Security Group (EFSG).

Mais um exemplo de incêndios na energia eólica foi o caso do incêndio ocorrido num aerogerador Vestas na Holanda corria o ano de 2013, em que para além dos danos materiais houve que lamentar a morte de 2 técnicos de manutenção.

vestas-incendio
Incêndio num aerogerador do parque eólico Piet Wit perto de Ooltgensplaat na Holanda pertencente ao promotor Deltawind.

“Para a obtenção do certificado contra incêndios é realizada uma avaliação analisando possíveis riscos de incêndio” afirma Daniel Kopte especialista em sistemas de incêndio. “Em seguida é feito a verificação interna dos sistemas no interior da turbina seguido de inspeções e testes de funcionamento. Em geral o risco de incêndio é minimizado por uma boa conceção e incorporação de sistemas de proteção adequados, tais como sistemas de deteção e supressão”.

Além de sistemas de segurança como o detetor de fumo e calor podem ser implementadas outras medidas de segurança tais como o desligar da turbina ou então reduzir a sua atividade quando as temperaturas atingem determinado valor pré-estabelecido, e isto seria possível através de um monitoramento em tempo real.

Em resumo, é certo que ocorrem incêndios em turbinas eólicas, mas não são assim tão frequentes como nos querem fazer parecer.

A indústria da energia eólica é bastante consciente dos riscos, pois eles também têm muito a perder com esta situação, e com toda a certeza estão a fazer e continuarão a fazer o seu melhor para minimizar os riscos de incêndios em turbinas eólicas.

Ler a primeira parte deste artigo.

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1 COMENTÁRIO

  1. ComentárioMuito interessante, mas, como ainda não identificaram a origem do fogo? Creio que deveriam chamar tecnicos experientes em acidentes aeronáuticos que, com certeza, poderiam descobrir facilmente. Obrigado

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