Leilões para Parques Eólicos no Brasil com valores inferiores ao previsto

Novas regras incentivam energias renováveis no Brasil

Após a energia eólica surpreender mais uma vez e registar preços abaixo dos R$100 (43.00 EUROS) por MWh, contra R$133 (58.00 EUROS) por MWh das licitações do ano passado, governo e público tentam entender como a fonte tem feito para apresentar tamanha redução de custos.

De acordo com empresas, o grande trunfo dos investidores foi o preço dos equipamentos, que representam mais de 70% dos custos totais para a construção de um parque eólico.

A Eletrobras Eletrosul, que teve a planta mais barata dos leilões, o parque eólico de Ibirapuitã I, com energia comercializada a R$96,49 (42.00 EUROS) por MWh, fechou contratos com a espanhola Gamesa e a argentina Impsa para os seus projectos.

De acordo com o presidente da estatal, Eurides Mescolotto, a empresa adquiriu “produto brasileiro com preço de chinês”, uma vez que os aerogeradores serão produzidos nas fábricas nacionais das duas fornecedoras.

A Bioenergy, que viabilizou 86,4MW distribuídos em três parques eólicos, afirma que “o segredo é a redução do custo de investimento, principalmente vindo dos fabricantes de aerogeradores”. O presidente da empresa, Sérgio Marques, admite que ainda não fechou contratos para a compra dos aerogeradores, mas está “em negociação com a GE”, que fabricou as máquinas utilizadas em outros parques da Bioenergy.

“Fomos para esse leilão sem pré-contrato. Normalmente, quando você tem esse documento assinado, você fica engessado”, avalia o executivo. Marques garante que a taxa de retorno dos projectos está “dentro da taxa internacional”, que tem ficado entre 12% e 15%, mas não quis revelar detalhes ou números mais aproximado. Ainda assim, ele admite que “os empreendedores estão aceitando taxas mais baixas” para entrar no mercado cada vez mais competitivo.

Poucos dias antes dos pregões, a Wobben, primeira fabricante de aerogeradores a se estabelecer no Brasil, afirmou que os patamares de custos estavam “irreais” e disse que havia “uma euforia” no mercado. O presidente da companhia, Ângelo Vidal, disse que, caso os valores ficassem nesse nível, a empresa poderia “ficar de fora”.

No caso da Renova, que vendeu 212,9MW em nove parques, o director administrativo e financeiro e de relações com investidores, Pedro Pileggi, destaca que a sinergia com os projectos existentes tem colaborado bastante com a competitividade das plantas. “A gente tem um site na Bahia com vento muito bom, onde já estamos construindo parques que venceram leilões. Então você já economiza com estradas, linhas de transmissão, subestações”.

Os parques da Renova foram ao certame com pré-contrato de fornecimento de equipamentos fechado com a GE, que trabalha em parceria com a companhia desde os empreendimentos de outras licitações. Sobre a queda dos preços, Pileggi ressalta que o câmbio teve grande influência nas actuais negociações, já o dólar que está 10% abaixo na comparação com o leilão do ano passado, alterando o patamar da parte importada dos aerogeradores.

Marques, da Bioenergy, também garante que os baixos preços podem continuar. A empresa tem actualmente 1.600MW em projectos em carteira, dos quais o executivo estima que cerca de 1.000MW podem competir com tarifas próximas às dos leilões realizados neste mês. Os demais empreendimentos precisariam de preços maiores devido a questões como factor de capacidade. Mesmo nessa licitação, a companhia chegou a tirar usinas da disputa, uma vez que os parques “não tinham factor de capacidade tão bons”.

O presidente também afirma que os valores dos certames “não foram uma surpresa para quem está dentro do mercado” e que a fonte está em um momento de “optimização de custos”. Para Marques, as tarifas actuais “são factíveis, novos patamares”.

Mescolotto, da Eletrosul, também disse que “os melhores projectos ainda estão por vir” e adiantou que a estatal tem terrenos no Rio Grande do Sul, na fronteira com o Uruguai, com ventos muito bons, o que pode aumentar ainda mais a competitividade.