Fabricantes Chineses de aerogeradores superam rivais no mercado mundial

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As quatro maiores empresas chinesas são responsáveis por 32% das vendas em 2010; Vestas e GE, tradicionais líderes, perdem participação rapidamente.

O crescimento do mercado interno e os incentivos do governo estão impulsionando as fabricantes chinesas de turbinas eólicas, que ameaçam ultrapassar os nomes mais tradicionais do sector. O país já conta com mais de 80 empresas atando na área, sendo que os quatro principais nomes – Sinovel, Goldwind, Dongfang e United Power – respondem por 32% dos aerogeradores vendidos em 2010.

Segundo um estudo da consultoria PikeResearch, a expansão da Sinovel no ano passado fez com que a companhia ultrapassasse a americana GE em vendas, chegando ao segundo lugar entre as fábricas de equipamentos eólicos.

Em primeiro, permanece a dinamarquesa Vestas, mas a diferença para a rival da China agora é de apenas 1% – o equivalente a 350MW. Outra empresa do país, a Goldwind, já encostou na GE, ameaçando também chegar ao topo. A própria trajetória de negócios aponta a tendência: enquanto a curva de vendas de Vestas e GE só cai desde 2009, as chinesas têm uma alta acentuada.

“As chaves para o crescimento para a indústria chinesa têm sido o baixo custo de produção e a exigência de 70% de conteúdo nacional, que existe desde 2009. Os críticos apontam para máquinas de baixa qualidade, que são menos eficientes e mais propensas a quebrar”, analisa o documento.

O mercado de turbinas eólicas movimentou US$59 biliões em equipamentos instalados em 2010 e deve chegar a US$152 biliões em 2017, pelas contas da consultoria. A PikeResearch estima que o sector vai girar US$820 biliões entre 2011 e 2017, incluindo usinas comuns e offshore, instaladas em alto mar. “A turbinas sozinha representa de 65% a 75% dos custos no mercado onshore e cerca de 30% a 40% no mercado offshore”, explica o estudo.

A análise também fala sobre o efeito da crise no sector eólico mundial. Para os consultores, a recessão está tendo um impacto atrasado no mercado, uma vez que o ciclo de um projecto, dos estudos de viabilidade à produção, é de 18 meses. O crescimento da fonte, que havia sido de 29% em 2008 e de 32% em 2009, caiu para 22% no ano passado.

A queda foi maior na América do Norte, com uma forte retracção nos Estados Unidos, que instalou 8,9GW eólicos em 2008, 10,9GW em 2009 e apenas 5,8GW em 2010. No Canadá, também houve queda, embora em menor tamanho, devido ao próprio porte do mercado. Na Europa, diz a PikeResearch, o crescimento da indústria eólica pôde resistir à crise, “mas com um custo”.

“Tarifas feed-in e outros generosos incentivos que causaram o rápido desenvolvimento das renováveis na Europa também contrubuíram para as crises fiscais de alguns países; consequentemente, muitos programas (de incentivos) foram reduzidos ou alterados”, analisa o documento.