Alterações climáticas são a maior ameaça do ambiente à saúde

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A utilização intensiva dos combustíveis fósseis e a consequente libertação para a atmosfera de gases com efeito de estufa contribuem para o aumento da temperatura média global do planeta e para uma maior frequência de fenómenos climáticos extremos, como, ondas de calor, chuvas intensas e secas, com impactes negativos directos e indirectos sobre a saúde.

«As ondas de calor mais frequentes e intensas aumentam o desconforto, a morbilidade e a mortalidade», realça Filipe Duarte Santos, especialista em alterações climáticas. «Uma das principais medidas de adaptação para as ondas de calor é o desenvolvimento de sistemas regionais de alerta precoce», indica o investigador.

Entre 2003 e 2006 registaram-se 3828 óbitos como resultado de ondas de calor que, segundo Costa Alves, ex-presidente do Instituto de Meteorologia, é «a catástrofe natural que mais mata depois do Terramoto de 1755».

O Ministério da Saúde tem em funcionamento, desde 2004, o Plano de Contingência para as Ondas de Calor, com vista a mitigar os efeitos das ondas de calor na saúde pública.

Já em relação aos vectores de doença, a DGS, o Instituto Nacional de Saúde Dr. Ricardo Jorge e as Administrações Regionais de Saúde estão a implantar o Programa REVIVE, que vai permitir um levantamento, em cada região, dos vectores de doenças existentes e avaliar os futuros riscos existentes face às alterações climáticas.

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Como melhorar a saúde?

Apesar de terem consequências negativas na saúde das pessoas, as alterações climáticas podem também abrir novas oportunidades.

As medidas para redução das emissões de gases com efeito de estufa ou o aumento da eficiência energética podem trazer importantes benefícios para a saúde, designadamente através da redução da poluição atmosférica.

Os exemplos chegam através de um uso mais eficiente da água, da adaptação dos edifícios às futuras condições do clima, do desenvolvimento de culturas agrícolas tolerantes à seca e menos vulneráveis às tempestades e incêndios, do planeamento do território e de corredores ecológicos, que permitam a migração das espécies.

No que concerne às doenças transmitidas, nomeadamente por roedores, devem ser desenvolvidos programas de monitorização associados a programas de vigilância epidemiológica, como forma de reduzir a vulnerabilidade das populações a essas doenças.

Paralelamente, é ainda necessário identificar os factores ambientais que afectam a dinâmica da transmissão daquelas doenças em Portugal, considera Filipe Duarte Santos.

O especialista refere que as alterações climáticas são responsáveis por mudanças na distribuição e frequência de doenças transmitidas, nomeadamente, por roedores, tais como a leishmaniose, a febre escaro-nodular e a leptospirose.

No caso de Portugal, «há um risco significativo de aumento da incidência destas doenças», destaca.