A verdade do AIRPOD o automóvel que usa o ar comprimido como combustível

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Agora que os automóveis com funcionamento eléctrico se encontram em grande evolução e iniciam a produção em série, eis que surge o AIRPOD, uma nova e inimaginável inovação no mercado dos veículos automóveis, com a possibilidade de conduzir um carro movido simplesmente a ar comprimido.

Quer ser uma lufada de ar fresco nos veículos urbanos. Chama-se AirPod, trabalha a ar comprimido e, segundo o construtor, encher o depósito, com autonomia de 220 km, custará 1 euro.

Outros argumentos a favor: uma velocidade máxima de 70 km/h e Zero de poluição. O pai da invenção é Guy Nègre que trabalha neste projecto há mais de uma década e que quer comercializar o veículo já a partir desta primavera, se conseguir até lá a homologação.

Depois do Salão do Automóvel de Genebra, em Março, o AirPod esteve na Escola Politécnica de Lausanne (EPFL) em Novembro, quando foi assinado um acordo de parceria de pesquisa, visando melhorar os sistemas de abastecimento dos tanques de ar.

O carro parece um ovo colorido, com janelas redondas, mas não é forma que torna o veículo de três lugares revolucionário e sim seu modo de propulsão, unicamente a ar comprimido e sem nenhuma emissão poluente. A ideia não caiu do céu pois a tecnologia existe há dois séculos.

Guy Nègre, fundador da MDI, passou quase meio século construindo motores para a Fórmula 1, para a aviação e para a célebre Renault 8 Gordini.

COMO TUDO COMEÇOU

No final dos anos de 1990, ele começou a se interessar pelo motor a ar, que propôs aos grandes construtores em 2003 e 2004, especialmente aos franceses.

Ninguém quis, mas os indianos levam a ideia a sério. Durante mais de dois anos, os engenheiros do grupo Tata vieram ao ateliê de Guy Nègre em Nice, sul da França, para avaliar, testar e observar a tecnologia e seu potencial de desenvolvimento.

Em 2007, o grupo sediado em Mumbai (líder do mercado indiano, mas também um dos maiores fabricantes mundiais de Camiões e Autocarros), comprou uma licença dos motores da MDI para fabricá-los na Índia. Valor do contrato: 10 milhões de euros.

Depois disso, cerca de 50 outras licenças foram vendidas pela MDI. Um delas foi comprada pelo advogado suíço Henri-Philippe Sambuc, fundador da Catecar, que vai fabricar os veículos a ar comprimido na Suíça.

SOBRE O ARIPOD

O AirPod é um veículo pequeno, com capacidade para apenas três passageiros. A MDI afirma que o AirPod tem uma autonomia de 180 km em circuito urbano, e com um tempo de abastecimento inferior a dois minutos para o tanque de 175 litros de ar. Mas apesar do AirPod poder atingir velocidades até 70 km o motor alimentado a ar tem uma potência de apenas 8 cavalos, o que sugere uma aceleração lenta.

Devido aos poucos cavalos, o AirPod está desenhado de forma a ser bastante leve, tendo um peso total de apenas 220 quilogramas. Como o tanque de ar e o motor não ocupam muito espaço, quase toda a área do AirPod é dedicada ao habitáculo O veículo possui três rodas e o condutor usa um joystick para as controlar em vez do tradicional volante.

Embora por ser alimentado a ar o AirPod seja livre de emissões para atmosfera, não deixa de gastar energia na compressão do ar para o abastecer. A MDI aponta um custo por abastecimento de 1 Euro.

A MDI anunciou acordos com a Air France e a KLM para testes de uma frota de AirPod’s no aeroporto Charles De Gaulle em Paris e no Schipol em Amesterdão.

REPORTAGEM GENEVA MOTOR – AIRPOD

ARTESANATO INDUSTRIAL

“Não é somente a técnica que é revolucionária nesse carro. O plano de negócios também”, explica Sambuc. “A filosofia é produzir o que é vendido, perto do consumidor. Nada de estoque, nada de concessionárias e sem logística. É uma espécie de artesanato industrial.”

Portanto, não haverá uma grande fábrica MDI e sim um grande número de pequenas montadoras espalhadas pelo mundo, que fabricarão 80% do veículo (o restante das peças será produzido em outras fábricas), atendendo as encomendas. Os carros serão vendidos nas fábricas, economizando custos e a poluição ligada ao transporte.

Como anuncia o site internet do construtor francês (http://www.mdi.lu), todos podem ser concessionário/fabricante/associado e abrir uma fábrica MDI. Para isso, uma fábrica exigirá – para a mesma produção – apenas um quarto de uma fábrica de carros clássica, um quinto do investimento, mas 30% a mais de empregados.

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COMO ABASTECER O AR COMPRIMIDO

Mas como abastecer com ar comprimido? A MDI fornecerá com o carro um minicompressor que permitirá encher o tanque durante a noite. Mas isso não basta.

Serão necessários pontos de abastecimento. Na Suíça, a Catecar propõe firmar um contrato com 200 oficinas como primeira rede de abastecimento. Cada oficina investirá 30 mil francos em um grande compressor, o que permitirá abastecer em três minutos por 6 a 8 francos.

Para Henri-Philippe Sambuc, encontrar 200 oficinas será “muito fácil”, é só se concentrar nas oficinas independentes.

GASOLINA PARA AUMENTAR AUTONOMIA

Para quem não quiser reabastecer a cada 150 a 200 km (autonomia prevista com um tanque de ar comprimido), a MDI já desenvolve um carro um pouco maior, que, utilizando um pouco de gasolina (2 litros por 100 km), pode comprimir o ar ambiente ao mesmo tempo em que roda.

Mas não se trata de um motor a pistão e sim de uma simples câmara de combustão que aquece o ar usando gasolina, gás ou qualquer outro combustível que queima quase integralmente, enquanto um motor a explosão queima apenas um quinto.

O sistema quase não produz óxido de azoto nem fumo, apenas um pouco de CO2, e promete uma autonomia de 800 km.

Será o AIRPOD o automóvel do Futuro, ou esta tecnologia será escondida pelas grandes construtoras e monopólios petrolíferos como foram os Veículos Elétricos há longos anos atrás?